Membros da Pastoral Universitária exortados a melhorarem o mundo

Cerca de três dezenas de coordenadores de atividades assumiram o compromisso público para com a Pastoral Universitária de Braga para o ano letivo que está a iniciar. Neste momento de partilha e oração, que teve lugar ao final da tarde de ontem na igreja dos Terceiros, o padre Eduardo Duque destacou a importância de se olhar para o fim e não fazer atividades por fazer, ou seja, «ser uma igreja em processo e em relação com as pessoas para as levar a refletir e a procurar o sentido da vida».

Fazendo alusão aos tempos «diferentes» e incertos» que o mundo vive, o responsável começou por lembrar a necessidade de «pensar de novo as coisas». «Este tempo pandémico é, por excelência, o momento para vivermos e pensarmos de novo a nossa vida. Poderia dizer que temos de viver, no cronos [tempo cronológico], o cairos, isto é, o tempo da graça, da reflexão, o tempo que nos é dado sem relógio, o tempo de Deus», referiu o responsável pela Pastoral Universitária de Braga, na homilia da missa dos universitários que decorreu precisamente no Dia Mundial das Missões.

O sacerdote aproveitou para relevar o lado positivo do tempo presente: «possivelmente há muitos ganhos neste tempo de incerteza e instabilidade», disse, desafiando os presentes a viver «de forma mais intensa» e a fazer «perguntas mais duráveis».

«A questão coloca-se na qualidade das perguntas e não na quantidade. Antes da pandemia fazíamos muitas perguntas, algumas banais. Hoje talvez tenham ganho outro sentido. Será que vou sobreviver? Será que os que amo vão sobreviver caso fiquem infetados? Então vivemos mais intensamente o tempo, este tempo que não é perdido mas que é de amor verdadeiro, de entrega. É tempo por excelência de fazermos perguntas diferentes», realçou.

Uma outra ideia transmitida pelo padre Eduardo Duque foi a de que este tempo poderá também ser de «renovação familiar». já que a crise «obrigou as famílias a aprenderem a estar juntas».

Por fim, a ideia de missão. «Só se compreende a missão se soubermos subir o monte», disse, questionando: «o que é que a caminhada nos dá?». «Para sermos missionários temos de saber desapegar-nos das coisas e partir de mochila vazia». Para o sacerdote, uma mochila pesada «não nos permite ver o que é essencial».

«Este poderá ser o tempo de criarmos relações com mais pessoas. Não vamos sair da pandemia iguais, mas muito diferentes. (...) Vamos voltar à nossa vida, mas também aprender a cultivar mais as nossas relações porque no tempo do confinamento percebemos a importância que elas têm. Poderíamos estar muito juntos mas sozinhos, mas hoje percebemos o afeto de estar com alguém», disse.

Ao grupo que ontem foi recebido, o responsável pela Pastoral Universitária de Braga pediu que «seja preciso nas suas ações» e que «ajude o mundo a ser melhor». «O cristão é relação por excelência. Temos de ser relação uns com os outros. O que fica é a relação de amor, o fazer as coisas em conjunto. O que fica é o coração das pessoas a ser trabalhado», finalizou.

In Diário do Minho



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